Olá a todos os visitantes do "Biamputado".
Hoje começou mais uma semana de fisioterapia, foi um dia muito cansativo, essencialmente por causa de um exagero no início do treino.
Comecei o meu dia a descer a rampa e fui até às barras para treinar o equilíbrio em cima da tábua de Freeman, inicialmente apenas estava em cima dela, mas depois a terapeuta deu-me a bola e estive a treinar com ela, enviando-a contra a parede, estive por ali durante alguns minutos e fui a seguir para a pedaleira de braços. Antes de ir para lá tinha lá estado outro amputado, ele fez 1000 pedaladas com a resistência entre os 4 e os 4.5, e demorou 13m16s, eu depois tentei reduzir esse tempo e com a resistência igual à dele comecei a dar as pedaladas, o ritmo foi sempre muito forte e demorei 9m36s, mas quando acabei estava tão cansado que tive de ficar sentado alguns minutos, depois levantei-me e estive a descansar mais um bocado enquanto estiveram lá os médicos para a visita médica.
No fim da visita médica fui até ao corredor para andar sem apoios, quando lá cheguei atravessei-o umas 4 vezes e quase não precisei de me apoiar, mas ainda estava muito cansado e estava-me a custar a avançar a prótese direita, por isso encostei-me à parede e descansei durante alguns minutos, a seguir agarrei na canadiana e fui até ao ginásio e ao chegar lá sentei-me mais algum tempo, um pouco depois a terapeuta disse-me para me levantar e largar a canadiana, fomos então dar uma volta sem apoios, ainda dentro do ginásio fui-me apoiando na mãe dela, depois de passar a porta do ginásio virámos à direita e fizemos os corredores até ao fim sem me apoiar uma única vez, mas quando chegámos lá virámos à direita para entrar na sala de espera do outro ginásio e eu apoiei-me na porta, para atravessar essa sala de espera precisei de me apoiar na mão da terapeuta umas duas vezes e voltei-me a apoiar na porta do ginásio grande, para o atravessar voltei-me a apoiar à mão da terapeuta umas duas vezes, desde a entrada para a sala de espera até sair do ginásio grande hoje foi a vez que me apoiei menos vezes, a seguir passamos a porta que dá acesso ao pátio, atravessei-o para os dois lados e a seguir novamente até à porta do nosso ginásio, ali no pátio apoiei-me poucas vezes, depois para subir o degrau para o nosso ginásio apenas me apoiei no braço da terapeuta e tentei dar impulso e subir, mas ainda precisei de me fazer um pouco de força no braço dela, por último atravessei o nosso ginásio e acabei por ali o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, no geral foi positivo, mas os exageros na pedaleira de braços condicionaram-me bastante, fiquei muito cansado e por isso não andei tanto como gostaria, mas sempre que andei correu tudo bem. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
Sejam bem-vindos!
Olá...sejam bem-vindos ao Biamputado....um blog de solidariedade.
Pretende-se torna-lo um espaço de esperança para com todos que passaram, passam ou passarão por esta experiência. Conta a minha história, a minha luta diária! É um projecto conjunto de Norberto Mourão e Olinda Guedes e surgiu no âmbito académico, é também um espaço de debate e entre-ajuda!
Contámos contigo! Porque a vida só tem sentido quando ajudamos alguém.
Quem quiser contribuir, por pouco que seja para a minha recuperação, desde muito obrigado
NIB: 0033 0000 45315828628 05
IBAN: PT50 0033 0000 4531 5828 6280 5
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segunda-feira, 18 de julho de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Fisioterapia 143º dia (15 - 07 - 2011)
Olá a todos os visitantes do "Biamputado".
Hoje voltei a dar uma volta pelo hospital, mas desta vez fomos dar uma volta diferente, com outras dificuldades e novas formas de me desenrascar sozinho.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, coloquei a resistência quase nos 4,5 e fiz 1000 pedaladas, a seguir levantei-me, fui com a terapeuta e o outro Sr. amputado do outro dia dar uma volta, fui novamente só com uma canadiana, saímos do ginásio e subimos logo as escadas dentro do pavilhão, depois saímos pela porta que existe naquele patamar e que tem um degrau bastante alto, eu desci-o apoiado na porta, a seguir o piso era bastante irregular e de calçada, fui andando mais devagar naquela parte, mas sem grandes dificuldades, depois voltamos para a estrada e demos a volta a um pavilhão, aquele das escadas que desci na quarta-feira, nesta volta tive bastantes dificuldades por causa da inclinação lateral que existe em algumas partes, fiquei com as costas bastante cansadas e a doer, quando demos a volta ao pavilhão seguimos em frente e parámos no cimo da rampa a descansar enquanto a terapeuta foi ao ginásio ver se estava tudo em ordem, quando ela voltou descemos uma rampa em direcção ao pavilhão de oftalmologia, aquela rampa era bastante inclinada e desci-a toda apoiando a mão esquerda à parede, desta forma consegui descer bem e sozinho, depois entrámos no pavilhão e descemos umas escadas para a parte das consultas de oftalmologia e fomos dar a um corredor, bastante estreito e estava cheio de pessoas, andar no meio de tantas pessoas era mais um desafio para nós e conseguimos sem problemas, a seguir saímos para a rua e fomos em direcção a uma escadaria de pedra muito antiga, subi-a apoiando a mão esquerda na parede, mas estava com receio que a canadiana escorrega-se na pedra, para além de muito antiga também está muito polida, por isso a terapeuta veio para trás de mim, depois subi sem problemas, depois passámos uma porta e fomos dar a um corredor muito grande que vai dar à parte por onde tínhamos entrado, ali já estava a conseguir andar mais rápido, subir e descer escadas, assim como as rampas dão-me muita confiança quando ando a direito, a partir dali subimos uma rampa e descemos a outra para o nosso pavilhão, nas duas apoiei a mão esquerda à parede e não tive dificuldade nenhuma, por último fomos para o ginásio e sentei-me a descansar.
Mais tarde fui com uma canadiana até ao corredor grande para andar sem apoios, quando lá cheguei larguei-a e comecei a andar, correu bastante bem, fui conseguindo avançar bem a prótese direita, também consegui fazer os movimentos com os braços e precisei de me apoiar poucas vezes, o que também já começo a fazer é reduzir a velocidade com a prótese direita sempre que faço aquelas acelerações, é muito bom fazer isso, é mais uma coisa que me dá confiança para andar sem apoios. Andei por ali durante alguns minutos, atravessei todo o corredor cerca de 6 vezes, depois voltei para o ginásio e acabei por ali o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, o meu maior problema continua a ser andar em pisos com inclinação lateral, o esforço nas costas é muito grande e a única forma que consigo alivia-las é fazendo várias pausas pelo caminho, tirando isso tenho vindo a melhorar bastante em todas as situações. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
Hoje voltei a dar uma volta pelo hospital, mas desta vez fomos dar uma volta diferente, com outras dificuldades e novas formas de me desenrascar sozinho.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, coloquei a resistência quase nos 4,5 e fiz 1000 pedaladas, a seguir levantei-me, fui com a terapeuta e o outro Sr. amputado do outro dia dar uma volta, fui novamente só com uma canadiana, saímos do ginásio e subimos logo as escadas dentro do pavilhão, depois saímos pela porta que existe naquele patamar e que tem um degrau bastante alto, eu desci-o apoiado na porta, a seguir o piso era bastante irregular e de calçada, fui andando mais devagar naquela parte, mas sem grandes dificuldades, depois voltamos para a estrada e demos a volta a um pavilhão, aquele das escadas que desci na quarta-feira, nesta volta tive bastantes dificuldades por causa da inclinação lateral que existe em algumas partes, fiquei com as costas bastante cansadas e a doer, quando demos a volta ao pavilhão seguimos em frente e parámos no cimo da rampa a descansar enquanto a terapeuta foi ao ginásio ver se estava tudo em ordem, quando ela voltou descemos uma rampa em direcção ao pavilhão de oftalmologia, aquela rampa era bastante inclinada e desci-a toda apoiando a mão esquerda à parede, desta forma consegui descer bem e sozinho, depois entrámos no pavilhão e descemos umas escadas para a parte das consultas de oftalmologia e fomos dar a um corredor, bastante estreito e estava cheio de pessoas, andar no meio de tantas pessoas era mais um desafio para nós e conseguimos sem problemas, a seguir saímos para a rua e fomos em direcção a uma escadaria de pedra muito antiga, subi-a apoiando a mão esquerda na parede, mas estava com receio que a canadiana escorrega-se na pedra, para além de muito antiga também está muito polida, por isso a terapeuta veio para trás de mim, depois subi sem problemas, depois passámos uma porta e fomos dar a um corredor muito grande que vai dar à parte por onde tínhamos entrado, ali já estava a conseguir andar mais rápido, subir e descer escadas, assim como as rampas dão-me muita confiança quando ando a direito, a partir dali subimos uma rampa e descemos a outra para o nosso pavilhão, nas duas apoiei a mão esquerda à parede e não tive dificuldade nenhuma, por último fomos para o ginásio e sentei-me a descansar.
Mais tarde fui com uma canadiana até ao corredor grande para andar sem apoios, quando lá cheguei larguei-a e comecei a andar, correu bastante bem, fui conseguindo avançar bem a prótese direita, também consegui fazer os movimentos com os braços e precisei de me apoiar poucas vezes, o que também já começo a fazer é reduzir a velocidade com a prótese direita sempre que faço aquelas acelerações, é muito bom fazer isso, é mais uma coisa que me dá confiança para andar sem apoios. Andei por ali durante alguns minutos, atravessei todo o corredor cerca de 6 vezes, depois voltei para o ginásio e acabei por ali o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, o meu maior problema continua a ser andar em pisos com inclinação lateral, o esforço nas costas é muito grande e a única forma que consigo alivia-las é fazendo várias pausas pelo caminho, tirando isso tenho vindo a melhorar bastante em todas as situações. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Fisioterapia 142º dia (13 - 07 - 2011)
Olá a todos os visitantes do "Biamputado".
Hoje voltei para a fisioterapia, já foi feito o enchimento na prótese direita e queria ver se já notava a diferença, no treino voltei a dar uma volta muito grande pelo hospital e nela deu para treinar em muitos pisos diferentes, em escadas e em rampas.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, estava decidido a reduzir muito o tempo que demoro a fazer este treino e por isso a cadência foi muito forte, coloquei a resistência nos 4,5 e fiz as 1000 pedaladas em 10m20s, o meu objectivo era fazer em 10m, mas não consegui, de qualquer forma reduzi 1m34s ao tempo que tinha feito na segunda-feira, a seguir fui com outro amputado e com a terapeuta dar uma volta pelo hospital, nunca tinha dado uma volta destas só com uma canadiana, por isso era algo que me deixava um pouco apreensivo, começámos por subir a rampa, eu subi sem me apoiar no corrimão, a seguir fomos em frente e passamos ao lado do pavilhão das consultas externas, nessa parte o piso tem uma inclinação lateral para o lado esquerdo, era bastante difícil andar assim e o esforço nas costas era enorme, quando cheguei ao fundo da rampa que fica a seguir ao pavilhão das consultas externas já estava muito cansado e com dores nas costas, mas continuei na mesma, subimos a seguir a rampa, subi-a sempre apoiado no corrimão, assim apoiado deu para descansar as costas, a seguir virámos à esquerda e o piso nesta parte tinha uma inclinação lateral para o lado direito, com a inclinação para este lado dificulta-me ainda mais, era muito mais difícil avançar a prótese direita e para além disso tinha de conseguir dar o impulso para cima dela para poder avançar a esquerda, não foi nada fácil, voltei a ficar com dores nas costas e bastante cansado, a seguir virámos à direita e apanhamos uma pequena rampa a subir, ali já deu para descansar um pouco, mas fui parando várias vezes pelo meio, depois finalmente o piso ficou direito, consegui andar melhor, mais rápido e deixei de ter dores nas costas, entretanto entrámos num pavilhão e descemos umas escadas, desci-as apoiado ao corrimão, foi muito fácil, seguimos depois pelos corredores e fomos dar a umas escadas onde já fui várias vezes, as do serviço 11, estávamos no 1º andar e tivemos de descer, o corrimão era muito baixo, eu para me apoiar nele tinha de me baixar bastante e não dava para descer de frente, por isso optei por descer agarrado a ele e de lado, consegui sem grandes problemas, a seguir saímos do pavilhão e desci o último degrau e o passeio apenas com a canadiana, hesitei um pouco mas consegui, a partir dali era a direito e consegui andar muito bem, a prótese direita estava a avançar muito bem e consegui andar mais rápido, depois desci a rampa apoiado ao corrimão e fomos até ao ginásio, ao chegar lá sentei-me e estive a descansar.
Mais tarde fui até ao corredor grande para andar sem apoios, mas ainda estava tão cansado que a primeira coisa que fiz foi sentar-me numa cadeira que lá estava, ao fim de uns minutos levantei-me e comecei comecei a andar sem apoios, fiz parte do corredor e depois a terapeuta deu-me a bola, fiz até ao fim do corredor a dribla-la, dei a volta e fiz novamente todo o corredor, mas tive de me apoiar várias vezes e ainda a deixei cair uma vez, quando cheguei ao fundo parei de driblar a bola, agarrei-a e levei-a de volta para o ginásio, ao chegar lá fui um pouco para as barras treinar o equilíbrio em cima da Tábua de Freeman e acabei por ali o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, o enchimento da prótese direita está muito bom, dá-me mais confiança e apesar de todas as dificuldades o dia foi muito positivo. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
Hoje voltei para a fisioterapia, já foi feito o enchimento na prótese direita e queria ver se já notava a diferença, no treino voltei a dar uma volta muito grande pelo hospital e nela deu para treinar em muitos pisos diferentes, em escadas e em rampas.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, estava decidido a reduzir muito o tempo que demoro a fazer este treino e por isso a cadência foi muito forte, coloquei a resistência nos 4,5 e fiz as 1000 pedaladas em 10m20s, o meu objectivo era fazer em 10m, mas não consegui, de qualquer forma reduzi 1m34s ao tempo que tinha feito na segunda-feira, a seguir fui com outro amputado e com a terapeuta dar uma volta pelo hospital, nunca tinha dado uma volta destas só com uma canadiana, por isso era algo que me deixava um pouco apreensivo, começámos por subir a rampa, eu subi sem me apoiar no corrimão, a seguir fomos em frente e passamos ao lado do pavilhão das consultas externas, nessa parte o piso tem uma inclinação lateral para o lado esquerdo, era bastante difícil andar assim e o esforço nas costas era enorme, quando cheguei ao fundo da rampa que fica a seguir ao pavilhão das consultas externas já estava muito cansado e com dores nas costas, mas continuei na mesma, subimos a seguir a rampa, subi-a sempre apoiado no corrimão, assim apoiado deu para descansar as costas, a seguir virámos à esquerda e o piso nesta parte tinha uma inclinação lateral para o lado direito, com a inclinação para este lado dificulta-me ainda mais, era muito mais difícil avançar a prótese direita e para além disso tinha de conseguir dar o impulso para cima dela para poder avançar a esquerda, não foi nada fácil, voltei a ficar com dores nas costas e bastante cansado, a seguir virámos à direita e apanhamos uma pequena rampa a subir, ali já deu para descansar um pouco, mas fui parando várias vezes pelo meio, depois finalmente o piso ficou direito, consegui andar melhor, mais rápido e deixei de ter dores nas costas, entretanto entrámos num pavilhão e descemos umas escadas, desci-as apoiado ao corrimão, foi muito fácil, seguimos depois pelos corredores e fomos dar a umas escadas onde já fui várias vezes, as do serviço 11, estávamos no 1º andar e tivemos de descer, o corrimão era muito baixo, eu para me apoiar nele tinha de me baixar bastante e não dava para descer de frente, por isso optei por descer agarrado a ele e de lado, consegui sem grandes problemas, a seguir saímos do pavilhão e desci o último degrau e o passeio apenas com a canadiana, hesitei um pouco mas consegui, a partir dali era a direito e consegui andar muito bem, a prótese direita estava a avançar muito bem e consegui andar mais rápido, depois desci a rampa apoiado ao corrimão e fomos até ao ginásio, ao chegar lá sentei-me e estive a descansar.
Mais tarde fui até ao corredor grande para andar sem apoios, mas ainda estava tão cansado que a primeira coisa que fiz foi sentar-me numa cadeira que lá estava, ao fim de uns minutos levantei-me e comecei comecei a andar sem apoios, fiz parte do corredor e depois a terapeuta deu-me a bola, fiz até ao fim do corredor a dribla-la, dei a volta e fiz novamente todo o corredor, mas tive de me apoiar várias vezes e ainda a deixei cair uma vez, quando cheguei ao fundo parei de driblar a bola, agarrei-a e levei-a de volta para o ginásio, ao chegar lá fui um pouco para as barras treinar o equilíbrio em cima da Tábua de Freeman e acabei por ali o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, o enchimento da prótese direita está muito bom, dá-me mais confiança e apesar de todas as dificuldades o dia foi muito positivo. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Fisioterapia 141º dia (11 - 07 - 2011)
Olá a todos os visitantes do "Biamputado".
Hoje começou mais uma semana de fisioterapia e também começou uma nova fase na fisioterapia, a partir desta semana começo a ter apenas 3 sessões, às segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras, esta redução de 5 para 3 dias deve-se à minha evolução, já superei todas as expectativas, a cada dia vou evoluindo mais um pouco e hoje não foi excepção.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, coloquei a resistência nos 4,5 e fiz 1000 pedaladas, a seguir fui um pouco até às barras para treinar o equilíbrio em cima da Tábua de Freeman, inicialmente apenas estava a tentar equilibrar-me, mas depois a terapeuta deu-me a bola para fazer o exercício de a enviar contra a parede, no início estava a ser um pouco difícil, mas aos poucos fui melhorando, no entanto o máximo de repetições que fiz foram apenas 5, quando estava a fazer este exercício chegaram lá os médicos para a visita médica.
No fim da visita médica agarrei uma canadiana e fui até ao corredor grande, pelo caminho fui-me apercebendo que já ando mais rápido e a prótese direita também já avança mais, os passos já são muito mais certos, quando cheguei ao corredor larguei a canadiana e comecei a andar sem apoios, hoje correu muito bem, consegui logo no início fazer todo o corredor sem me apoiar e grande parte dele a fazer os movimentos com os braços, fiz o corredor seis vezes, três para cada lado e só me apoiei para fazer as curvas, a seguir agarrei na canadiana e fui até à porta do pavilhão para refrescar um pouco, a seguir passei pelo ginásio e voltei novamente para o corredor grande, nessa altura a terapeuta foi lá, deu-me a bola e deixou-me a fazer os exercícios sozinho, era a primeira vez que ia fazer sozinho o treino sem apoio e com a bola, comecei por driblar a bola, como estava sozinho apenas driblava com uma mão, a outra ia para baixo e preparada para me apoiar caso me desequilibra-se, comecei bastante bem, consegui andar mais de metade do corredor sem me apoiar, mas depois tive de me apoiar e deixei a bola cair, estava ali sozinho, sem a canadiana ao pé de mim e tinha de apanhar a bola, apoiado no corrimão estiquei a prótese esquerda e consegui tocar na bola, fiz força de cima para baixo com a ponta do pé, fiz a bola rodar e acabou por vir ter comigo, depois só precisei de a agarrar, a seguir continuei normalmente o meu treino, fiz o resto do corredor, sem problemas, dei a volta a fiz novamente todo o corredor, desta vez a driblar a bola com a mão esquerda, mas foi muito mais difícil e tive de me apoiar bastantes vezes, quando cheguei ao fim do corredor dei novamente a volta e fiz mais uma vez todo o corredor, a driblar com a mão direita e apenas me apoiei umas 3 vezes, a última vez que atravessei o corredor foi a fazer outro exercício, segurei a bola com as duas mãos e tentei andar com os braços esticados, mas não consegui, continuei na mesma com a bola nas duas mãos, mas com os braços iam flectidos, dessa forma já consegui andar um pouco, mas nunca dei muitos passos, quando acabei este exercício deixei a bola, agarrei na canadiana e fui até ao ginásio, depois acabei por ali o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, foi bastante positivo, pela primeira vez fiz sozinho os exercícios com a bola a andar sem apoios. Como agora só vou para a fisioterapia três vezes por semana só volto a escrever um novo texto na quarta-feira. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão.
Hoje começou mais uma semana de fisioterapia e também começou uma nova fase na fisioterapia, a partir desta semana começo a ter apenas 3 sessões, às segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras, esta redução de 5 para 3 dias deve-se à minha evolução, já superei todas as expectativas, a cada dia vou evoluindo mais um pouco e hoje não foi excepção.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, coloquei a resistência nos 4,5 e fiz 1000 pedaladas, a seguir fui um pouco até às barras para treinar o equilíbrio em cima da Tábua de Freeman, inicialmente apenas estava a tentar equilibrar-me, mas depois a terapeuta deu-me a bola para fazer o exercício de a enviar contra a parede, no início estava a ser um pouco difícil, mas aos poucos fui melhorando, no entanto o máximo de repetições que fiz foram apenas 5, quando estava a fazer este exercício chegaram lá os médicos para a visita médica.
No fim da visita médica agarrei uma canadiana e fui até ao corredor grande, pelo caminho fui-me apercebendo que já ando mais rápido e a prótese direita também já avança mais, os passos já são muito mais certos, quando cheguei ao corredor larguei a canadiana e comecei a andar sem apoios, hoje correu muito bem, consegui logo no início fazer todo o corredor sem me apoiar e grande parte dele a fazer os movimentos com os braços, fiz o corredor seis vezes, três para cada lado e só me apoiei para fazer as curvas, a seguir agarrei na canadiana e fui até à porta do pavilhão para refrescar um pouco, a seguir passei pelo ginásio e voltei novamente para o corredor grande, nessa altura a terapeuta foi lá, deu-me a bola e deixou-me a fazer os exercícios sozinho, era a primeira vez que ia fazer sozinho o treino sem apoio e com a bola, comecei por driblar a bola, como estava sozinho apenas driblava com uma mão, a outra ia para baixo e preparada para me apoiar caso me desequilibra-se, comecei bastante bem, consegui andar mais de metade do corredor sem me apoiar, mas depois tive de me apoiar e deixei a bola cair, estava ali sozinho, sem a canadiana ao pé de mim e tinha de apanhar a bola, apoiado no corrimão estiquei a prótese esquerda e consegui tocar na bola, fiz força de cima para baixo com a ponta do pé, fiz a bola rodar e acabou por vir ter comigo, depois só precisei de a agarrar, a seguir continuei normalmente o meu treino, fiz o resto do corredor, sem problemas, dei a volta a fiz novamente todo o corredor, desta vez a driblar a bola com a mão esquerda, mas foi muito mais difícil e tive de me apoiar bastantes vezes, quando cheguei ao fim do corredor dei novamente a volta e fiz mais uma vez todo o corredor, a driblar com a mão direita e apenas me apoiei umas 3 vezes, a última vez que atravessei o corredor foi a fazer outro exercício, segurei a bola com as duas mãos e tentei andar com os braços esticados, mas não consegui, continuei na mesma com a bola nas duas mãos, mas com os braços iam flectidos, dessa forma já consegui andar um pouco, mas nunca dei muitos passos, quando acabei este exercício deixei a bola, agarrei na canadiana e fui até ao ginásio, depois acabei por ali o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, foi bastante positivo, pela primeira vez fiz sozinho os exercícios com a bola a andar sem apoios. Como agora só vou para a fisioterapia três vezes por semana só volto a escrever um novo texto na quarta-feira. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Fisioterapia 140º dia (08 - 07 - 2011)
Olá a todos os visitantes do "Biamputado"
Hoje foi o último dia de fisioterapia desta semana e não havia melhor maneira de acabar semana do que a que consegui hoje, foi extraordinário, consegui fazer o que até à pouco tempo seria impossível.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, hoje decidi ouvir música bastante mexida enquanto dava as pedaladas, coloquei a resistência quase nos 4,5 e fiz as 1000 pedaladas a uma velocidade muito elevada e demorei pouco mais de 11 minutos, a seguir levantei-me e fui guardar a música, também encostei uma canadiana e fui até ao corredor grande, ao chegar lá encostei-a e estive por ali a andar durante algum tempo, tentei sempre fazer os movimentos naturais dos braços, fui conseguindo e não precisei de me apoiar muitas vezes, nas curvas é que me apoiava sempre, nesta fase do treino fiz o corredor grande 6 vezes, depois agarrei na canadiana e fui até à porta do pavilhão porque estava muito calor no corredor, ao fim de poucos minutos voltei para o corredor grande e treinei mais um bocado, fiz todo o corredor mais umas 4 vezes e voltei para o ginásio com a canadiana.
O ginásio acabou por ser apenas um local de passagem, pois estive a treinar no degrau para o pátio, a descer e a subi-lo só com uma canadiana, voltei a conseguir sem precisar de me apoiar, para descer tem de ser de lado e a prótese direita apoia primeiro em baixo, quando subo é a prótese esquerda que vai à frente e consigo fazer bem o impulso para subir, estive por ali alguns minutos, a seguir voltei para o corredor grande com a terapeuta e outro amputado, quando lá chegamos ele esteve a fazer alguns exercícios relacionados com a transferência de peso, eu aproveitei e também fiz, mas como ele se cansa rapidamente a terapeuta foi-lhe buscar uma cadeira e trouxe a bola para mim, comecei depois a fazer um exercício com a bola, tinha de a driblar e passar ao lado da cadeira onde o outro amputado estava sentado, no início estava a ir bem, mas ao chegar perto dele desequilibrei-me, tive de largar a bola e apoiar-me no corrimão, a seguir rodei o corpo de forma a ter de andar apenas em frente e passar ao lado da cadeira, dessa vez consegui, no entanto queria virar para voltar para perto do corrimão e não consegui, fui sempre em frente e apoiei-me na parede de vidro, depois virei-me para a outra parede e atravessei o corredor na diagonal até chegar a ela, a partir dali fui até ao fundo do corredor sempre a andar a direito, quando lá cheguei tive de dar meia volta, virar-me para a parede do outro lado e dar um pequeno passo em frente, este pequeno passo foi difícil de dar porque me sentia inseguro, a seguir fizemos outro exercício, passava-mos a bola um para o outro, mas a bater uma vez no chão, correu bem, mas a terapeuta enviou uma vez pelo ar, eu desequilibrei-me logo e tive de me apoiar na parede que estava atrás, depois voltei a apanhar o meu ponto de equilíbrio e continuei a fazer o exercício, desta vez a passar a bola por cima ou a bater no chão, à medida que ia fazendo começava a ficar mais torto, por causa das dores na zona lombar e do cansaço, nessa altura a terapeuta disse-me para me encostar à parede e descansar.
Depois de descansar durante alguns minutos a terapeuta disse-me para me afastar da parede o máximo que conseguia e para começarmos a andar sem apoios, ao afastar-me assim tanto já não precisava de me desviar da cadeira onde ainda estava o outro amputado, começamos então a andar e atravessámos todo o corredor grande e os pequenos até ao fundo, lá dei a volta e fiz novamente todo o caminho até ao fundo do corredor grande, voltei a dar a volta e o objectivo era ir até ao ginásio, mas quando ia a meio do corredor grande chegou lá outro biamputado e começou-me a dar os parabéns e a dizer que já ando muito bem, no entanto nessa altura desequilibrei-me e tive de me apoiar na terapeuta, eu tinha contado todos os passos que tinha dado até ali (conta-los ajuda-me a manter-me concentrado), foram 450 passos sem me apoiar uma única vez, nunca tinha andado tanto tempo e por uma distância tão grande sem me apoiar uma única vez, estava mesmo muito feliz com o que tinha acabado de conseguir, depois voltámos a andar e fui desde ali até ao ginásio, novamente sem me apoiar uma única vez, foi extraordinário, até à muito pouco tempo conseguir andar assim tanto sem apoios seria um sonho, quando cheguei ao ginásio estava a escorrer água por todo o lado, estava muito cansado, mas as costas não me doíam e eu estava radiante com esta minha vitória, acabei depois ali o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, não havia melhor forma de acabar a semana, com mais esta extraordinária vitória. Bom fim-de-semana a todos. Muito obrigado.
Norberto Mourão
Hoje foi o último dia de fisioterapia desta semana e não havia melhor maneira de acabar semana do que a que consegui hoje, foi extraordinário, consegui fazer o que até à pouco tempo seria impossível.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, hoje decidi ouvir música bastante mexida enquanto dava as pedaladas, coloquei a resistência quase nos 4,5 e fiz as 1000 pedaladas a uma velocidade muito elevada e demorei pouco mais de 11 minutos, a seguir levantei-me e fui guardar a música, também encostei uma canadiana e fui até ao corredor grande, ao chegar lá encostei-a e estive por ali a andar durante algum tempo, tentei sempre fazer os movimentos naturais dos braços, fui conseguindo e não precisei de me apoiar muitas vezes, nas curvas é que me apoiava sempre, nesta fase do treino fiz o corredor grande 6 vezes, depois agarrei na canadiana e fui até à porta do pavilhão porque estava muito calor no corredor, ao fim de poucos minutos voltei para o corredor grande e treinei mais um bocado, fiz todo o corredor mais umas 4 vezes e voltei para o ginásio com a canadiana.
O ginásio acabou por ser apenas um local de passagem, pois estive a treinar no degrau para o pátio, a descer e a subi-lo só com uma canadiana, voltei a conseguir sem precisar de me apoiar, para descer tem de ser de lado e a prótese direita apoia primeiro em baixo, quando subo é a prótese esquerda que vai à frente e consigo fazer bem o impulso para subir, estive por ali alguns minutos, a seguir voltei para o corredor grande com a terapeuta e outro amputado, quando lá chegamos ele esteve a fazer alguns exercícios relacionados com a transferência de peso, eu aproveitei e também fiz, mas como ele se cansa rapidamente a terapeuta foi-lhe buscar uma cadeira e trouxe a bola para mim, comecei depois a fazer um exercício com a bola, tinha de a driblar e passar ao lado da cadeira onde o outro amputado estava sentado, no início estava a ir bem, mas ao chegar perto dele desequilibrei-me, tive de largar a bola e apoiar-me no corrimão, a seguir rodei o corpo de forma a ter de andar apenas em frente e passar ao lado da cadeira, dessa vez consegui, no entanto queria virar para voltar para perto do corrimão e não consegui, fui sempre em frente e apoiei-me na parede de vidro, depois virei-me para a outra parede e atravessei o corredor na diagonal até chegar a ela, a partir dali fui até ao fundo do corredor sempre a andar a direito, quando lá cheguei tive de dar meia volta, virar-me para a parede do outro lado e dar um pequeno passo em frente, este pequeno passo foi difícil de dar porque me sentia inseguro, a seguir fizemos outro exercício, passava-mos a bola um para o outro, mas a bater uma vez no chão, correu bem, mas a terapeuta enviou uma vez pelo ar, eu desequilibrei-me logo e tive de me apoiar na parede que estava atrás, depois voltei a apanhar o meu ponto de equilíbrio e continuei a fazer o exercício, desta vez a passar a bola por cima ou a bater no chão, à medida que ia fazendo começava a ficar mais torto, por causa das dores na zona lombar e do cansaço, nessa altura a terapeuta disse-me para me encostar à parede e descansar.
Depois de descansar durante alguns minutos a terapeuta disse-me para me afastar da parede o máximo que conseguia e para começarmos a andar sem apoios, ao afastar-me assim tanto já não precisava de me desviar da cadeira onde ainda estava o outro amputado, começamos então a andar e atravessámos todo o corredor grande e os pequenos até ao fundo, lá dei a volta e fiz novamente todo o caminho até ao fundo do corredor grande, voltei a dar a volta e o objectivo era ir até ao ginásio, mas quando ia a meio do corredor grande chegou lá outro biamputado e começou-me a dar os parabéns e a dizer que já ando muito bem, no entanto nessa altura desequilibrei-me e tive de me apoiar na terapeuta, eu tinha contado todos os passos que tinha dado até ali (conta-los ajuda-me a manter-me concentrado), foram 450 passos sem me apoiar uma única vez, nunca tinha andado tanto tempo e por uma distância tão grande sem me apoiar uma única vez, estava mesmo muito feliz com o que tinha acabado de conseguir, depois voltámos a andar e fui desde ali até ao ginásio, novamente sem me apoiar uma única vez, foi extraordinário, até à muito pouco tempo conseguir andar assim tanto sem apoios seria um sonho, quando cheguei ao ginásio estava a escorrer água por todo o lado, estava muito cansado, mas as costas não me doíam e eu estava radiante com esta minha vitória, acabei depois ali o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, não havia melhor forma de acabar a semana, com mais esta extraordinária vitória. Bom fim-de-semana a todos. Muito obrigado.
Norberto Mourão
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Fisioterapia 139º dia (06 - 07 - 2011)
Olá a todos os visitantes do "Biamputado".
Hoje voltei a ter um dia muito preenchido, fiz mais uns exercícios novos e ainda fui dar um passeio onde fui obrigado a improvisar bastante.
Comecei o meu dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, coloquei a força ligeiramente acima do 4 e fiz 1000 pedaladas, mas tive alguns problemas no ombro esquerdo, todos os dias faço um pequeno aquecimento às articulações dos ombros, cotovelos, pulsos e dedos, mas hoje não fiz aos ombros e logo a partir das 300 pedaladas comecei a ficar com um desconforto no ombro esquerdo, os problemas vasculares também se começaram a notar (braço a ficar roxo, cansar-se mais e a perder força) e isso dificultou-me bastante até às 1000 pedaladas, no fim da pedaleira de braços levantei-me e estive a treinar no degrau para o pátio, a descer e subir só com uma canadiana, na primeira vez que desci precisei de um pequeno apoio, mas depois fui conseguindo sem grandes dificuldades, a seguir fui dar uma pequena volta até ao corredor grande, estava lá a terapeuta com uma biamputada a fazer treino de marcha com duas canadianas, ela tem tido uma evolução muito boa, quando receber as próteses dela tenho a certeza que vai conseguir andar bastante bem, acompanhei-as depois até ao ginásio e voltei novamente para o corredor grande, para fazer o meu treino sem apoios, encostei todas as cadeiras de rodas a um canto para poder ter mais espaço e comecei a andar, na primeira travessia do corredor precisei apenas de me apoiar uma vez no corrimão, mas quando voltei não me apoiei uma única vez, foram 120 passos seguidos, com alguns desequilíbrios mas sem precisar de me apoiar, entretanto chegou lá a terapeuta com a bola e estivemos a fazer um exercício novo, à medida que ia andando tinha de passar a bola de uma mão par a outra, tentando afastar bem os braços, para que o espaço percorrido pela bola fosse maior, fiz todo o corredor e não me apoiei muitas vezes, quando cheguei ao fundo a terapeuta disse-me para parar, virar-me de costas para a parede e dar um passo em frente, depois fizemos o mesmo exercício que fizemos ontem, ela ia-me enviando a bola ao mesmo tempo que ia andando de um lado para o outro, sempre que ela fica muito de lado e eu tenho de rodar bastante o corpo para a conseguir ver, tenho bastantes desequilíbrios, a seguir ela disse-me para me encostar à parede, mas os pés tinham de estar mais para a frente, depois de estar nessa posição tinha de dar balanço para a frente e desencostar-me da parede para tentar ficar em pé, sem estar a tocar na parede, foi muito difícil, o meu problema não era dar o impulso que precisava para ficar de pé, mas sim imaginar que não conseguiria parar e cairia para a frente, só consegui fazer duas ou três vezes, no fim deste exercício voltámos para o ginásio, fiz novamente todo o caminho sem me apoiar.
Um pouco mais tarde fui com a terapeuta e mais dois amputados dar uma pequena volta, eles levavam duas canadianas e eu ia com uma, subimos a rampa e seguimos em frente, virámos depois à esquerda antes do Pavilhão das consultas externas e estivemos a subir uma rampa que existe ali, eu fui sempre mais atrás e sozinho, já me sinto bastante seguro a andar sozinho só com uma canadiana, a rampa também a subi sozinho e comecei a desce-la, a meio a terapeuta veio ter comigo e disse-me para tentar descer sem a canadiana, ainda tentei, a prótese esquerda avançava bem, mas a direita não me permite descer sem apoios, ganho logo muita velocidade e não tenho forma de travar, só consegui dar dois passos dessa forma e tive de me agarrar no corrimão, acabei por descer o resto só com a canadiana, como um dos amputados tem muitos problemas na perna boa, fica com dores e bastante cansado, a terapeuta disse-nos para esperarmos por ali um pouco, enquanto ele se sentou a descansar numas escadas eu decidi subi-las, a subir correu tudo muito bem, mas a descer não, as escadas eram de ferro e a parte de trás de cada degrau tinha uma pequena dobra, quando descia o pé da prótese direita batia nessa parte e já não dava para apoiar bem o pé, para conseguir descer tive de improvisar um pouco, fui-me apoiando ao corrimão com a mão e com o antebraço direito, do lado esquerdo estava a canadiana, o que tive de fazer foi descer completamente apoiado nos braços, voltámos depois para o nosso pavilhão, ele seguiu para o ginásio e eu fui até ao corredor grande, voltei a andar um pouco sem apoios, a terapeuta foi até lá e estivemos a dar a volta pela sala de espera do ginásio grande, atravessamos esse ginásio e o pátio, seguindo depois para o nosso ginásio, neste percurso precisei de me apoiar várias vezes, mas já foram menos que nas outras tentativas, ao chegar ao ginásio acabei o meu treino de hoje.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, fiz exercícios novos, tive de improvisar a descer aquelas escadas e fiz bastantes exercícios que correram bastante bem. amanhã não irei para a fisioterapia, por isso só voltarei a escrever o texto na sexta-feira. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
Hoje voltei a ter um dia muito preenchido, fiz mais uns exercícios novos e ainda fui dar um passeio onde fui obrigado a improvisar bastante.
Comecei o meu dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, coloquei a força ligeiramente acima do 4 e fiz 1000 pedaladas, mas tive alguns problemas no ombro esquerdo, todos os dias faço um pequeno aquecimento às articulações dos ombros, cotovelos, pulsos e dedos, mas hoje não fiz aos ombros e logo a partir das 300 pedaladas comecei a ficar com um desconforto no ombro esquerdo, os problemas vasculares também se começaram a notar (braço a ficar roxo, cansar-se mais e a perder força) e isso dificultou-me bastante até às 1000 pedaladas, no fim da pedaleira de braços levantei-me e estive a treinar no degrau para o pátio, a descer e subir só com uma canadiana, na primeira vez que desci precisei de um pequeno apoio, mas depois fui conseguindo sem grandes dificuldades, a seguir fui dar uma pequena volta até ao corredor grande, estava lá a terapeuta com uma biamputada a fazer treino de marcha com duas canadianas, ela tem tido uma evolução muito boa, quando receber as próteses dela tenho a certeza que vai conseguir andar bastante bem, acompanhei-as depois até ao ginásio e voltei novamente para o corredor grande, para fazer o meu treino sem apoios, encostei todas as cadeiras de rodas a um canto para poder ter mais espaço e comecei a andar, na primeira travessia do corredor precisei apenas de me apoiar uma vez no corrimão, mas quando voltei não me apoiei uma única vez, foram 120 passos seguidos, com alguns desequilíbrios mas sem precisar de me apoiar, entretanto chegou lá a terapeuta com a bola e estivemos a fazer um exercício novo, à medida que ia andando tinha de passar a bola de uma mão par a outra, tentando afastar bem os braços, para que o espaço percorrido pela bola fosse maior, fiz todo o corredor e não me apoiei muitas vezes, quando cheguei ao fundo a terapeuta disse-me para parar, virar-me de costas para a parede e dar um passo em frente, depois fizemos o mesmo exercício que fizemos ontem, ela ia-me enviando a bola ao mesmo tempo que ia andando de um lado para o outro, sempre que ela fica muito de lado e eu tenho de rodar bastante o corpo para a conseguir ver, tenho bastantes desequilíbrios, a seguir ela disse-me para me encostar à parede, mas os pés tinham de estar mais para a frente, depois de estar nessa posição tinha de dar balanço para a frente e desencostar-me da parede para tentar ficar em pé, sem estar a tocar na parede, foi muito difícil, o meu problema não era dar o impulso que precisava para ficar de pé, mas sim imaginar que não conseguiria parar e cairia para a frente, só consegui fazer duas ou três vezes, no fim deste exercício voltámos para o ginásio, fiz novamente todo o caminho sem me apoiar.
Um pouco mais tarde fui com a terapeuta e mais dois amputados dar uma pequena volta, eles levavam duas canadianas e eu ia com uma, subimos a rampa e seguimos em frente, virámos depois à esquerda antes do Pavilhão das consultas externas e estivemos a subir uma rampa que existe ali, eu fui sempre mais atrás e sozinho, já me sinto bastante seguro a andar sozinho só com uma canadiana, a rampa também a subi sozinho e comecei a desce-la, a meio a terapeuta veio ter comigo e disse-me para tentar descer sem a canadiana, ainda tentei, a prótese esquerda avançava bem, mas a direita não me permite descer sem apoios, ganho logo muita velocidade e não tenho forma de travar, só consegui dar dois passos dessa forma e tive de me agarrar no corrimão, acabei por descer o resto só com a canadiana, como um dos amputados tem muitos problemas na perna boa, fica com dores e bastante cansado, a terapeuta disse-nos para esperarmos por ali um pouco, enquanto ele se sentou a descansar numas escadas eu decidi subi-las, a subir correu tudo muito bem, mas a descer não, as escadas eram de ferro e a parte de trás de cada degrau tinha uma pequena dobra, quando descia o pé da prótese direita batia nessa parte e já não dava para apoiar bem o pé, para conseguir descer tive de improvisar um pouco, fui-me apoiando ao corrimão com a mão e com o antebraço direito, do lado esquerdo estava a canadiana, o que tive de fazer foi descer completamente apoiado nos braços, voltámos depois para o nosso pavilhão, ele seguiu para o ginásio e eu fui até ao corredor grande, voltei a andar um pouco sem apoios, a terapeuta foi até lá e estivemos a dar a volta pela sala de espera do ginásio grande, atravessamos esse ginásio e o pátio, seguindo depois para o nosso ginásio, neste percurso precisei de me apoiar várias vezes, mas já foram menos que nas outras tentativas, ao chegar ao ginásio acabei o meu treino de hoje.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, fiz exercícios novos, tive de improvisar a descer aquelas escadas e fiz bastantes exercícios que correram bastante bem. amanhã não irei para a fisioterapia, por isso só voltarei a escrever o texto na sexta-feira. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
terça-feira, 5 de julho de 2011
Fisioterapia 138º dia (05 - 07 - 2011)
Olá a todos os visitantes do "Biamputado".
Hoje voltei a ter um dia cheio de trabalho, não deixei que os problema extra-fisioterapia (canoagem) me afectassem, fiz novos exercícios e até consegui fazer novas conquistas.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, meti a resistência quase no 5 e consegui fazer as 1000 pedaladas que pretendia, a seguir levantei-me e fui até às barras para treinar o equilíbrio em cima da tábua de Freeman com a bola, tentei fazer o mesmo que fiz ontem, mandar a bola contra a parede sem pausas e como se estivesse a jogar voleibol, estava a ter algumas dificuldades de equilíbrio e não conseguia mandar mais de duas vezes a bola contra a parede, acabei por não conseguir fazer mais de três repetições e na última tentativa acabei por me desequilibrar um pouco mais e até tive de deixar cair a bola para me equilibrar.
No fim dos exercícios de equilíbrio fui até ao corredor grande e comecei a andar sem apoios, mas no início estava a correr bastante mal, com bastantes desequilíbrios quando dava o primeiro passo, mas percebi logo qual era o problema, tinha a prótese esquerda ligeiramente rodada para fora, essa pequena diferença fazia com que apoia-se apenas o calcanhar do pé e ela acabasse por rodar ainda mais para fora, tive de me apoiar ao corrimão, agarrar a canadiana e acertar a prótese, a partir daí tudo voltou ao normal, já consegui fazer todo o corredor sem apoios, a seguir chegou lá a terapeuta com a bola, deu-ma para as mãos e estive a dribla-la, voltei a conseguir dar bastantes passos sem me apoiar, mas ainda não foi hoje que fiz todo o corredor dessa forma, depois fizemos outro exercício, passar a bola para o lado, este já consegui fazer ao longo de todo o corredor, quando chegámos ao fundo a terapeuta disse-me para me afastar e virar de costas para a parede, depois ela deu-me a bola, eu tinha de a enviar contra a parede do outro lado do corredor e voltar a segura-la depois dela bater uma vez no chão, neste exercício as dificuldades eram sobretudo no equilíbrio quando enviava a bola, a força que fazia para a enviar fazia com que o meu corpo fosse para trás, mas consegui arranjar uma forma de me manter equilibrado, a seguir fizemos outro exercício, a terapeuta ia-me enviando a bola, mas ela ia andando de um lado para o outro até ficar mesmo de lado, eu tinha de rodar o máximo que conseguia para a conseguir ver e apanhar a bola, nessas alturas era difícil manter-me direito e sentia uma enorme pressão nas costas, acabámos então esse exercício e fizemos todo o corredor a passar a bola um para o outro, também com a terapeuta ao meu lado, no fundo do corredor parámos o exercício da bola, mas segui em frente até ao ginásio, fiz todo o caminho sem me apoiar uma única vez, quando lá cheguei agarrei uma das canadianas e fui fazer outro treino, descer e subir o degrau para o pátio só com uma canadiana e sem me apoiar na parede, nas primeiras vezes precisei de ligeiros toques na parede, mas depois acabei por conseguir, fui treinando várias vezes, aos poucos aumentei a confiança e fui melhorando, tanto a descer como a subir e sempre sem precisar de me apoiar, acabei depois por ali o meu treino de hoje.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, fiz exercícios novos e consegui ultrapassar mais uma grande barreira, a de descer e subir o degrau para o pátio. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
Hoje voltei a ter um dia cheio de trabalho, não deixei que os problema extra-fisioterapia (canoagem) me afectassem, fiz novos exercícios e até consegui fazer novas conquistas.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, meti a resistência quase no 5 e consegui fazer as 1000 pedaladas que pretendia, a seguir levantei-me e fui até às barras para treinar o equilíbrio em cima da tábua de Freeman com a bola, tentei fazer o mesmo que fiz ontem, mandar a bola contra a parede sem pausas e como se estivesse a jogar voleibol, estava a ter algumas dificuldades de equilíbrio e não conseguia mandar mais de duas vezes a bola contra a parede, acabei por não conseguir fazer mais de três repetições e na última tentativa acabei por me desequilibrar um pouco mais e até tive de deixar cair a bola para me equilibrar.
No fim dos exercícios de equilíbrio fui até ao corredor grande e comecei a andar sem apoios, mas no início estava a correr bastante mal, com bastantes desequilíbrios quando dava o primeiro passo, mas percebi logo qual era o problema, tinha a prótese esquerda ligeiramente rodada para fora, essa pequena diferença fazia com que apoia-se apenas o calcanhar do pé e ela acabasse por rodar ainda mais para fora, tive de me apoiar ao corrimão, agarrar a canadiana e acertar a prótese, a partir daí tudo voltou ao normal, já consegui fazer todo o corredor sem apoios, a seguir chegou lá a terapeuta com a bola, deu-ma para as mãos e estive a dribla-la, voltei a conseguir dar bastantes passos sem me apoiar, mas ainda não foi hoje que fiz todo o corredor dessa forma, depois fizemos outro exercício, passar a bola para o lado, este já consegui fazer ao longo de todo o corredor, quando chegámos ao fundo a terapeuta disse-me para me afastar e virar de costas para a parede, depois ela deu-me a bola, eu tinha de a enviar contra a parede do outro lado do corredor e voltar a segura-la depois dela bater uma vez no chão, neste exercício as dificuldades eram sobretudo no equilíbrio quando enviava a bola, a força que fazia para a enviar fazia com que o meu corpo fosse para trás, mas consegui arranjar uma forma de me manter equilibrado, a seguir fizemos outro exercício, a terapeuta ia-me enviando a bola, mas ela ia andando de um lado para o outro até ficar mesmo de lado, eu tinha de rodar o máximo que conseguia para a conseguir ver e apanhar a bola, nessas alturas era difícil manter-me direito e sentia uma enorme pressão nas costas, acabámos então esse exercício e fizemos todo o corredor a passar a bola um para o outro, também com a terapeuta ao meu lado, no fundo do corredor parámos o exercício da bola, mas segui em frente até ao ginásio, fiz todo o caminho sem me apoiar uma única vez, quando lá cheguei agarrei uma das canadianas e fui fazer outro treino, descer e subir o degrau para o pátio só com uma canadiana e sem me apoiar na parede, nas primeiras vezes precisei de ligeiros toques na parede, mas depois acabei por conseguir, fui treinando várias vezes, aos poucos aumentei a confiança e fui melhorando, tanto a descer como a subir e sempre sem precisar de me apoiar, acabei depois por ali o meu treino de hoje.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, fiz exercícios novos e consegui ultrapassar mais uma grande barreira, a de descer e subir o degrau para o pátio. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Fisioterapia 137º dia (04 - 07 - 2011)
Olá a todos os visitantes do "Biamputado".
Hoje começou mais uma semana de fisioterapia, voltei a ter um dia cansativo e pela primeira vez arrisquei fazer algumas coisas sozinho.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, coloquei a força quase no 5 e queria fazer 1000 pedaladas, mas como a resistência era muito forte cheguei às 750 e tive de reduzir ligeiramente a resistência, ficou entre 4 e o 4.5, depois fiz até às 1000, a seguir fui com uma canadiana até ao pátio, a terapeuta tinha lá montado um circuito com os pinos e com uns sacos de areia, os pinos tinha de os passar aos ziguezagues e os sacos de areia tinha de os passar a andar de lado, fiz aquele circuito duas vezes, depois fui até às barras para treinar o equilíbrio com bola em cima da tábua de Freeman, estive a fazer aquele exercício de enviar a bola contra a parede, fiz o exercício de duas formas, na primeira enviava a bola, segurava-a e se estivesse equilibrado enviava-a outra vez, havia sempre uma pausa, umas vezes ligeira e outras mais prolongada, mas hoje decidi inovar um pouco e fiz sem paragens, quase como se estivesse a jogar voleibol, consegui fazer a bola bater 18 vezes na parede sem precisar de me apoiar, entretanto chegaram os médicos para a visita habitual e eu parei o exercício.
No fim da visita médica fui até ao corredor, quando lá cheguei vi que estava uma cadeira no meio do corredor e decidi arriscar, passar ao lado dela, até agora nunca me afastei muito da parede quando treino sozinho, mas para passar ao lado da cadeira tive de me afastar da parede e deixar de ter qualquer possibilidade de me apoiar caso me desequilibrasse, consegui uma vez sem qualquer problema, mas quando voltei para trás e tentei passar outra vez já não consegui, tive de passar por ela com os braços esticados para a parede e quase a andar de lado para lá conseguir chegar, entretanto a terapeuta chegou lá, retirou a cadeira e começámos a fazer alguns exercícios com a bola, no primeiro ela foi-ma passando de lado e acabei por conseguir fazer quase todo o corredor sem precisar de me apoiar, quando cheguei ao fundo dei a volta sem tocar no corrimão e voltei a fazer todo o corredor da mesma forma, o segundo exercício foi a driblar a bola, voltei a dribla-la alternando pelas duas mãos e também neste exercício consegui andar bastante sem me apoiar, a minha maior dificuldade é quando passam pessoas perto de mim, tenho de me conseguir abstrair delas e não me desequilibrar, quando acabei este exercício voltei para o ginásio com a terapeuta e sem apoios.
Um pouco depois fui com outro amputado e com a terapeuta dar uma pequena volta, ele foi sem canadianas e eu fui com uma, subimos a rampa, eu não precisei de tocar no corrimão, a seguir fomos por cima do passeio, no entanto estavam umas cadeiras a meio e o espaço para passar à frente delas era muito reduzido, tive de passar de lado, apoiei a canadiana na estrada enquanto eu ia em cima do passeio, foi a forma que encontrei para passar este obstáculo, a seguir continuei pelo passeio e fui ter com o outro amputado, depois voltamos para trás e tivemos de descer o passeio, a terapeuta estava com ele e eu tive de descer sozinho, mas apoiei-me numa ambulância para conseguir, fomos depois até à entrada de outro pavilhão e tivemos de subir novamente um pequeno passeio, eu nunca subi sozinho só com uma canadiana e perguntei à terapeuta como é que iria subir, estava à espera que ela viesse ter comigo, mas disse-me apenas para subir, lá decidi arriscar e pela primeira vez consegui subir algo só com uma canadiana, para descer voltou a acontecer o mesmo, a terapeuta estava com o outro amputado e não o podia largar, voltei-lhe a perguntar como é que descia, ela mais uma vez me disse para descer sozinho, mas como estava ainda com mais receio não desci, nessa altura ela disse-me para esperar por ela, pois ela ia ao ginásio levar o outro amputado, eu ainda esperei um pouco, mas pensei para mim, "não posso ficar aqui toda a vida" e decidi avançar, meti a canadiana na estrada, avancei a prótese direita e nessa altura já não havia nada a fazer, ou avançava ou caia, preferi avançar e correu muito bem, tive foi de descer de lado, uma vez que em situações destas é a única forma que eu consigo apoiar a prótese direita no chão, a seguir fui andando para o ginásio e já estava a descer a rampa quando a terapeuta chegou ao pé de mim (a correr), ficou espantada por me ver já ali, eu disse-lhe como é que desci e ela ficou muito satisfeita, disse-me que tenho de começar a tentar no degrau entre o ginásio e o pátio, por último fui até ao ginásio sem canadianas e acabei por ali o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, pela primeira vez consegui-me afastar sozinho da parede e passar ao lado de um obstáculo, também consegui pela primeira vez subir e descer um passeio só com uma canadiana e sem a ajuda da terapeuta. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
Hoje começou mais uma semana de fisioterapia, voltei a ter um dia cansativo e pela primeira vez arrisquei fazer algumas coisas sozinho.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até à pedaleira de braços, coloquei a força quase no 5 e queria fazer 1000 pedaladas, mas como a resistência era muito forte cheguei às 750 e tive de reduzir ligeiramente a resistência, ficou entre 4 e o 4.5, depois fiz até às 1000, a seguir fui com uma canadiana até ao pátio, a terapeuta tinha lá montado um circuito com os pinos e com uns sacos de areia, os pinos tinha de os passar aos ziguezagues e os sacos de areia tinha de os passar a andar de lado, fiz aquele circuito duas vezes, depois fui até às barras para treinar o equilíbrio com bola em cima da tábua de Freeman, estive a fazer aquele exercício de enviar a bola contra a parede, fiz o exercício de duas formas, na primeira enviava a bola, segurava-a e se estivesse equilibrado enviava-a outra vez, havia sempre uma pausa, umas vezes ligeira e outras mais prolongada, mas hoje decidi inovar um pouco e fiz sem paragens, quase como se estivesse a jogar voleibol, consegui fazer a bola bater 18 vezes na parede sem precisar de me apoiar, entretanto chegaram os médicos para a visita habitual e eu parei o exercício.
No fim da visita médica fui até ao corredor, quando lá cheguei vi que estava uma cadeira no meio do corredor e decidi arriscar, passar ao lado dela, até agora nunca me afastei muito da parede quando treino sozinho, mas para passar ao lado da cadeira tive de me afastar da parede e deixar de ter qualquer possibilidade de me apoiar caso me desequilibrasse, consegui uma vez sem qualquer problema, mas quando voltei para trás e tentei passar outra vez já não consegui, tive de passar por ela com os braços esticados para a parede e quase a andar de lado para lá conseguir chegar, entretanto a terapeuta chegou lá, retirou a cadeira e começámos a fazer alguns exercícios com a bola, no primeiro ela foi-ma passando de lado e acabei por conseguir fazer quase todo o corredor sem precisar de me apoiar, quando cheguei ao fundo dei a volta sem tocar no corrimão e voltei a fazer todo o corredor da mesma forma, o segundo exercício foi a driblar a bola, voltei a dribla-la alternando pelas duas mãos e também neste exercício consegui andar bastante sem me apoiar, a minha maior dificuldade é quando passam pessoas perto de mim, tenho de me conseguir abstrair delas e não me desequilibrar, quando acabei este exercício voltei para o ginásio com a terapeuta e sem apoios.
Um pouco depois fui com outro amputado e com a terapeuta dar uma pequena volta, ele foi sem canadianas e eu fui com uma, subimos a rampa, eu não precisei de tocar no corrimão, a seguir fomos por cima do passeio, no entanto estavam umas cadeiras a meio e o espaço para passar à frente delas era muito reduzido, tive de passar de lado, apoiei a canadiana na estrada enquanto eu ia em cima do passeio, foi a forma que encontrei para passar este obstáculo, a seguir continuei pelo passeio e fui ter com o outro amputado, depois voltamos para trás e tivemos de descer o passeio, a terapeuta estava com ele e eu tive de descer sozinho, mas apoiei-me numa ambulância para conseguir, fomos depois até à entrada de outro pavilhão e tivemos de subir novamente um pequeno passeio, eu nunca subi sozinho só com uma canadiana e perguntei à terapeuta como é que iria subir, estava à espera que ela viesse ter comigo, mas disse-me apenas para subir, lá decidi arriscar e pela primeira vez consegui subir algo só com uma canadiana, para descer voltou a acontecer o mesmo, a terapeuta estava com o outro amputado e não o podia largar, voltei-lhe a perguntar como é que descia, ela mais uma vez me disse para descer sozinho, mas como estava ainda com mais receio não desci, nessa altura ela disse-me para esperar por ela, pois ela ia ao ginásio levar o outro amputado, eu ainda esperei um pouco, mas pensei para mim, "não posso ficar aqui toda a vida" e decidi avançar, meti a canadiana na estrada, avancei a prótese direita e nessa altura já não havia nada a fazer, ou avançava ou caia, preferi avançar e correu muito bem, tive foi de descer de lado, uma vez que em situações destas é a única forma que eu consigo apoiar a prótese direita no chão, a seguir fui andando para o ginásio e já estava a descer a rampa quando a terapeuta chegou ao pé de mim (a correr), ficou espantada por me ver já ali, eu disse-lhe como é que desci e ela ficou muito satisfeita, disse-me que tenho de começar a tentar no degrau entre o ginásio e o pátio, por último fui até ao ginásio sem canadianas e acabei por ali o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, pela primeira vez consegui-me afastar sozinho da parede e passar ao lado de um obstáculo, também consegui pela primeira vez subir e descer um passeio só com uma canadiana e sem a ajuda da terapeuta. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
domingo, 3 de julho de 2011
Primeiro vídeo a andar sem apoios
Neste vídeo podem-me ver a andar sem apoios, ainda ando muito desequilibrado, os braços não estão ao longo do corpo nem a baloiçar de forma natural, de qualquer forma já se nota alguma evolução em relação ao último vídeo.
Espero que tenham gostado. Muito obrigado.
Norberto Mourão
Espero que tenham gostado. Muito obrigado.
Norberto Mourão
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Fisioterapia 137º dia (01 - 07 - 2011)
Olá a todos os visitantes do "Biamputado".
Hoje voltei a ter um dia extremamente cansativo, pela primeira vez sai do nosso pavilhão sem canadianas, fomos dar uma pequena volta pelo hospital e foi extremamente gratificante.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até ao ginásio, o primeiro exercício que fiz foi nas barras, a treinar o equilíbrio em cima da tábua de Freeman, estive por ali cerca de 10 minutos e depois fui até à pedaleira de braços, como hoje é sexta-feira decidi exagerar um pouco mais no esforço, coloquei a força quase nos 4,5 e fiz 2000 pedaladas, o dobro do habitual, fui conseguindo controlar a respiração, mantive uma cadência muito elevada e no total não demorei 23 minutos, mas acabei completamente de rastos, a seguir levantei-me, fui limpar a cara do suor, larguei uma canadiana e fui logo até ao corredor grande, pelo caminho voltou-me a acontecer uma situação chata que nunca mencionei aqui no blog, quando ando só com uma canadiana ou mesmo sem nenhuma e não faço a transferência de peso correctamente, acabo por esforçar bastante a articulação da anca do lado esquerdo, quase na zona da virilha e dá-me uma pontada bastante forte que me descontrola um pouco, mas felizmente passa muito rápido, neste percurso até ao corredor grande aconteceu duas ou três vezes e por isso deu para perceber exactamente em que situações ocorre. Quando cheguei ao corredor grande larguei a canadiana e comecei a andar, no início estava a ter algumas dificuldades de equilíbrio, mas aos poucos fui melhorando e conseguindo manter os braços ao longo do corpo, balançando de forma natural, essa é uma das minhas grandes batalhas, tornar a marcha mais natural, com os braços ao longo do corpo e balançando-os, mas só é possível quando me sinto confiante, entretanto chegou lá a terapeuta e fomos dar uma volta, começamos por sair do pavilhão, quando chegamos à rampa ela deu-me a canadiana para eu subir a rampa, subi-a sem me apoiar uma única vez no corrimão, quando o piso ficou direito a terapeuta voltou-me a tirar a canadiana, consegui andar bem e fui fazendo os movimentos dos braços até chegar a uma parte que tem um pequeno declive, até ali apenas precisei de me apoiar na terapeuta cerca de duas ou três vezes, para passar esse declive é que tudo se complicou, avancei a prótese esquerda normalmente e tentei dar o impulso necessário para avançar, no entanto esse pequeno declive fez com que eu em vez de ir para a frente desequilibrasse ligeiramente para trás, tentei duas vezes e aconteceu sempre o mesmo, acabei por te de subir apoiado na terapeuta, depois voltei ao normal até entrarmos numa parte de calçada, muito irregular tanto a nível das irregularidades naturais do piso em calçada, mas também com alguma inclinação lateral, aí não deu mesmo, tive de ir sempre apoiado à terapeuta e sentei-me com a ajuda da canadiana num banco que lá estava, entretanto a terapeuta foi tratar de outros amputados e eu fiquei por ali a descansar. Ao fim de alguns minutos levantei-me e estive a andar um pouco ali no piso irregular até ela chegar, nessa altura ela voltou-me a retirar a canadiana e mais uma vez tive dificuldades por causa do piso irregular, mas nesta parte onde estava o pior problema era mesmo na inclinação lateral, é péssimo andar em pisos assim, tive de ir sempre apoiado na terapeuta até junto a uma parede, lá tinha a parte das janelas e eu podia-me apoiar nas grades delas, foi o que fiz, mas mesmo assim não era fácil, até porque a inclinação lateral aumentou muito, entretanto tive de sair da calçada para a estrada, mas aí já foi com a canadiana e apoiei-me também numa ambulância que lá estava, a seguir o piso já era direito e de alcatrão, voltei a andar sozinho e a fazer os movimentos com os braços, fui assim até ao cimo da rampa, ainda assim antes de me apoiar no corrimão tinha outro desnível e eu tive de ir sempre apoiado na terapeuta, para além do desnível estava também uma ambulância a fazer marcha-a-trás, o que me pressionou mais um pouco, depois apoiei-me no corrimão e a terapeuta queria que descesse apenas apoiado nele, sem usar a canadiana, mas algo se passa com a prótese direita, ainda não percebi o que é ao certo, mas sempre que desço a rampa parece que algo se destranca, não sei se será o joelho direito ou a articulação da anca direita, o que é certo é que fico muito inseguro e tenho de usar mais um apoio, acabei por ter de descer apoiado no corrimão e com uma canadiana, no fundo da rampa voltei a largar a canadiana, fomos para o ginásio sem apoios e só me apoiei na terapeuta umas três vezes, por último, quando lá cheguei fui para as barras treinar o equilíbrio em cima da tábua de Freeman com a bola, enviando-a contra a parede, fiquei por ali mais uns 10 minutos e acabei o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, muito cansativo, mas bastante gratificante, ter saído do nosso pavilhão pela primeira vez sem canadiana é algo extraordinário. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
Hoje voltei a ter um dia extremamente cansativo, pela primeira vez sai do nosso pavilhão sem canadianas, fomos dar uma pequena volta pelo hospital e foi extremamente gratificante.
Comecei o dia a descer a rampa e fui até ao ginásio, o primeiro exercício que fiz foi nas barras, a treinar o equilíbrio em cima da tábua de Freeman, estive por ali cerca de 10 minutos e depois fui até à pedaleira de braços, como hoje é sexta-feira decidi exagerar um pouco mais no esforço, coloquei a força quase nos 4,5 e fiz 2000 pedaladas, o dobro do habitual, fui conseguindo controlar a respiração, mantive uma cadência muito elevada e no total não demorei 23 minutos, mas acabei completamente de rastos, a seguir levantei-me, fui limpar a cara do suor, larguei uma canadiana e fui logo até ao corredor grande, pelo caminho voltou-me a acontecer uma situação chata que nunca mencionei aqui no blog, quando ando só com uma canadiana ou mesmo sem nenhuma e não faço a transferência de peso correctamente, acabo por esforçar bastante a articulação da anca do lado esquerdo, quase na zona da virilha e dá-me uma pontada bastante forte que me descontrola um pouco, mas felizmente passa muito rápido, neste percurso até ao corredor grande aconteceu duas ou três vezes e por isso deu para perceber exactamente em que situações ocorre. Quando cheguei ao corredor grande larguei a canadiana e comecei a andar, no início estava a ter algumas dificuldades de equilíbrio, mas aos poucos fui melhorando e conseguindo manter os braços ao longo do corpo, balançando de forma natural, essa é uma das minhas grandes batalhas, tornar a marcha mais natural, com os braços ao longo do corpo e balançando-os, mas só é possível quando me sinto confiante, entretanto chegou lá a terapeuta e fomos dar uma volta, começamos por sair do pavilhão, quando chegamos à rampa ela deu-me a canadiana para eu subir a rampa, subi-a sem me apoiar uma única vez no corrimão, quando o piso ficou direito a terapeuta voltou-me a tirar a canadiana, consegui andar bem e fui fazendo os movimentos dos braços até chegar a uma parte que tem um pequeno declive, até ali apenas precisei de me apoiar na terapeuta cerca de duas ou três vezes, para passar esse declive é que tudo se complicou, avancei a prótese esquerda normalmente e tentei dar o impulso necessário para avançar, no entanto esse pequeno declive fez com que eu em vez de ir para a frente desequilibrasse ligeiramente para trás, tentei duas vezes e aconteceu sempre o mesmo, acabei por te de subir apoiado na terapeuta, depois voltei ao normal até entrarmos numa parte de calçada, muito irregular tanto a nível das irregularidades naturais do piso em calçada, mas também com alguma inclinação lateral, aí não deu mesmo, tive de ir sempre apoiado à terapeuta e sentei-me com a ajuda da canadiana num banco que lá estava, entretanto a terapeuta foi tratar de outros amputados e eu fiquei por ali a descansar. Ao fim de alguns minutos levantei-me e estive a andar um pouco ali no piso irregular até ela chegar, nessa altura ela voltou-me a retirar a canadiana e mais uma vez tive dificuldades por causa do piso irregular, mas nesta parte onde estava o pior problema era mesmo na inclinação lateral, é péssimo andar em pisos assim, tive de ir sempre apoiado na terapeuta até junto a uma parede, lá tinha a parte das janelas e eu podia-me apoiar nas grades delas, foi o que fiz, mas mesmo assim não era fácil, até porque a inclinação lateral aumentou muito, entretanto tive de sair da calçada para a estrada, mas aí já foi com a canadiana e apoiei-me também numa ambulância que lá estava, a seguir o piso já era direito e de alcatrão, voltei a andar sozinho e a fazer os movimentos com os braços, fui assim até ao cimo da rampa, ainda assim antes de me apoiar no corrimão tinha outro desnível e eu tive de ir sempre apoiado na terapeuta, para além do desnível estava também uma ambulância a fazer marcha-a-trás, o que me pressionou mais um pouco, depois apoiei-me no corrimão e a terapeuta queria que descesse apenas apoiado nele, sem usar a canadiana, mas algo se passa com a prótese direita, ainda não percebi o que é ao certo, mas sempre que desço a rampa parece que algo se destranca, não sei se será o joelho direito ou a articulação da anca direita, o que é certo é que fico muito inseguro e tenho de usar mais um apoio, acabei por ter de descer apoiado no corrimão e com uma canadiana, no fundo da rampa voltei a largar a canadiana, fomos para o ginásio sem apoios e só me apoiei na terapeuta umas três vezes, por último, quando lá cheguei fui para as barras treinar o equilíbrio em cima da tábua de Freeman com a bola, enviando-a contra a parede, fiquei por ali mais uns 10 minutos e acabei o meu treino.
Foi assim o meu dia de fisioterapia, muito cansativo, mas bastante gratificante, ter saído do nosso pavilhão pela primeira vez sem canadiana é algo extraordinário. Muito obrigado a todos.
Norberto Mourão
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Acerca de mim
- Biamputado
- Lisboa/ Vila Real, Camarate/ Mondrões, Portugal
- Como já se aperceberam, a minha situação infelizmente é muito complicada, tenho um longo e árduo caminho pela frente, caminho esse cheio de grande dificuldades, não só a nível físico como também financeiro, por isso peço ajuda a quem estiver interessado em contribuir com alguma coisa, por pouco que seja, para esta minha nova realidade...